Vergonha da história
O brasileiro tem vergonha do passado e a memória coletiva se esforça para apagar fatos que, em países com cultura política diversa da nossa, seriam motivo de vergonha. A história geralmente é escrita de maneira lúdica, de uma forma romântica, legando a segundo plano a dominação política e cultural que se abate sobre nós.
O Império é para muitos historiadores mais agradável do que o abominável jogo político da primeira República. O período que vai de 1889 a 1930 é lembrado mais por ser o período da Bélle Epoque tropical ou por ser o berço do Malandro cantado pelo samba, do que pelos mecanismo criados pelas elites para se perpetuarem no poder, escravizando uma população miserável e analfabeta e sem nenhuma possibilidade de participação política.
Em âmbito nacional existem muitos estudos sobre a política dos governadores ou da política do “café-com-leite”, mas não se fala da política domestica dos estados, dos massacres de trabalhadores ou dos campos de concentração no nordeste. Fala-se da população escrava durante o Império, mas esqueceu-se do homem branco, livre e pobre que lutava pela sobrevivência em um país hostil a ele; para essas pessoas o estado não é conhecido como a estrutura formal, material política e social do sistema jurídico, que garante as liberdades individuais e fundamentais, o estado é algo distante, que só aparece na repressão da policia.
É preciso contar a história desse Brasil, que as classes dominantes nega existir, mas que é o próprio Brasil. É hora de lembrar desses fatos porque que conhece o passado controla o futuro.
Postado por mim, mas o texto é do Bernardo.
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