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		<title>Textos de Gaveta</title>
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		<title>Vergonha da história</title>
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		<pubDate>Thu, 20 May 2010 23:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabi Barbosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[O brasileiro tem vergonha do passado e a memória coletiva se esforça para apagar fatos que, em países com cultura política diversa da nossa, seriam motivo de vergonha. A história geralmente é escrita de maneira lúdica, de uma forma romântica, legando a segundo plano a dominação política e cultural que se abate sobre nós. O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=117&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O brasileiro tem vergonha do passado e a memória coletiva se esforça para apagar fatos que, em países com cultura política diversa da nossa, seriam motivo de vergonha. A história geralmente é escrita de maneira lúdica, de uma forma romântica, legando a segundo plano a dominação política e cultural que se abate sobre nós.</p>
<p style="text-align:justify;">O Império é para muitos historiadores mais agradável do que o abominável jogo político da primeira República. O período que vai de 1889 a 1930 é lembrado mais por ser o período da Bélle Epoque tropical ou por ser o berço do Malandro cantado pelo samba, do que pelos mecanismo criados pelas elites para se perpetuarem no poder, escravizando uma população miserável e analfabeta e sem nenhuma possibilidade de participação política.</p>
<p style="text-align:justify;">Em âmbito nacional existem muitos estudos sobre a política dos governadores ou da política do “café-com-leite”, mas não se fala da política domestica dos estados, dos massacres de trabalhadores ou dos campos de concentração no nordeste. Fala-se da população escrava durante o Império, mas esqueceu-se do homem branco, livre e pobre que lutava pela sobrevivência em um país hostil a ele; para essas pessoas o estado não é conhecido como a estrutura formal, material política e social do sistema jurídico, que garante as liberdades individuais e fundamentais, o estado é algo distante, que só aparece na repressão da policia.</p>
<p style="text-align:justify;">É preciso contar a história desse Brasil, que as classes dominantes nega existir, mas que é o próprio Brasil. É hora de lembrar desses fatos porque que conhece o passado controla o futuro.</p>
<p style="text-align:right;"><em><span style="color:#888888;">Postado por mim, mas o texto é do Bernardo.</span></em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/textosdegaveta.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/textosdegaveta.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/textosdegaveta.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/textosdegaveta.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/textosdegaveta.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/textosdegaveta.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/textosdegaveta.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/textosdegaveta.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/textosdegaveta.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/textosdegaveta.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/textosdegaveta.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/textosdegaveta.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/textosdegaveta.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/textosdegaveta.wordpress.com/117/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=117&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A você</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Sep 2009 01:05:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabi Barbosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu te amo com a certeza de que logo após o dia a noite virá e assim que a lua se esconder, o sol brilhará. Eu te amo com a força do furacão, com a simplicidade de um piscar de olhos e com a intensidade de uma vida que nos resta ao final de tudo. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=114&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Eu te amo com a certeza de que logo após o dia a noite virá e assim que a lua se esconder, o sol brilhará.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu te amo com a força do furacão, com a simplicidade de um piscar de olhos e com a intensidade de uma vida que nos resta ao final de tudo.</p>
<p style="text-align:justify;">Jamais medirei meu amor por anos de dedicação, mas, com toda a sinceridade desse meu coração, medirei-o por eras.</p>
<p style="text-align:justify;">Impossível dizer-lhe tudo o que sinto em meras frases, mas se pudesse condensar esse sentimento imensurável, posso transcrevê-lo em apenas: eu te amo.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><span style="color:#888888;">&#8220;Duvida do brilho da estrela e do perfume da flor. Duvida de toda a verdade, mas nunca do meu amor.&#8221;</span></em> __  Shakespeare</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/textosdegaveta.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/textosdegaveta.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/textosdegaveta.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/textosdegaveta.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/textosdegaveta.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/textosdegaveta.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/textosdegaveta.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/textosdegaveta.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/textosdegaveta.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/textosdegaveta.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/textosdegaveta.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/textosdegaveta.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/textosdegaveta.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/textosdegaveta.wordpress.com/114/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=114&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Doze Regras de Redação da Grande Mídia Internacional Quando a Notícia é do Oriente Médio</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Aug 2009 16:29:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Regra Um &#8211; No Oriente Médio, são sempre os Árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se represália. Regra Dois &#8211; Os Árabes, Palestinos ou Libaneses não têm o direito de matar civil. Isso se chama &#8220;Terrorismo&#8221;. Regra Três -Israel tem o direito de matar civil. Isso se chama &#8220;Legitima [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=112&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Regra Um &#8211; No Oriente Médio, são sempre os Árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se represália.<br />
Regra Dois &#8211; Os Árabes, Palestinos ou Libaneses não têm o direito de matar civil. Isso se chama &#8220;Terrorismo&#8221;.<br />
Regra Três -Israel tem o direito de matar civil. Isso se chama &#8220;Legitima Defesa&#8221;.<br />
Regra Quatro &#8211; Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama &#8220;Reação da Comunidade Internacional&#8221;.<br />
Regra Cinco &#8211; Os Palestinos e os Libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso se chama &#8220;Seqüestro de Pessoas Indefesas&#8221;.<br />
Regra Seis &#8211; Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos Palestinos e Libaneses desejar. Atualmente, são mais de 10.000, dos quais 300 são crianças e 1000 são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter os seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades democraticamente eleitas pelos Palestinos. Isso se chama &#8220;Prisão de Terroristas&#8221;.<br />
Regra Sete &#8211; Quando se menciona a palavra &#8220;Hezbollah&#8221;, é obrigatório a mesma frase conter a expressão &#8220;apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã&#8221;.<br />
Regra Oito &#8211; Quando se menciona &#8220;Israel&#8221;, é proibida qualquer menção à expressão &#8220;apoiada e financiada pelos Estados Unidos&#8221;. Isso pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo existencial.<br />
Regra Nove &#8211; Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões &#8220;Territórios Ocupados&#8221;, &#8220;Resoluções da ONU&#8221;, &#8220;Violações de Direitos Humanos&#8221; ou &#8220;Convenção de Genebra&#8221;.<br />
Regra Dez &#8211; Tanto os Palestinos quanto os Libaneses são sempre &#8220;covardes&#8221; que se escondem entre a população civil, a qual &#8220;não os quer&#8221;. Se eles dormem em suas casas com as sua famílias, a isso se dá o nome de &#8220;Covardia&#8221;. Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso chama &#8220;Ações Cirúrgica de Alta Precisão&#8221;.<br />
Regra Onze &#8211; Os Israelenses falam melhor o Inglês, o Francês, o Espanhol e o Português que os Árabes. Por isso eles e os que os apóiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidade do que os Árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama de &#8220;Neutralidade Jornalística&#8221;.<br />
Regra Doze &#8211; Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são &#8220;Terroristas Anti-Semitas de Alta Periculosidade&#8221;.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/textosdegaveta.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/textosdegaveta.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/textosdegaveta.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/textosdegaveta.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/textosdegaveta.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/textosdegaveta.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/textosdegaveta.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/textosdegaveta.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/textosdegaveta.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/textosdegaveta.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/textosdegaveta.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/textosdegaveta.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/textosdegaveta.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/textosdegaveta.wordpress.com/112/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=112&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<pubDate>Sat, 08 Aug 2009 18:20:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabi Barbosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros autores]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Aonde? Me mostra! Aonde está esse amor? Eu não posso vê-lo, eu não posso tocá-lo, eu não o sinto, eu não posso ouvi-lo. Eu posso ouvir algumas poucas palavras, mas eu não posso fazer nada com essas suas simples palavras!&#8221; (filme: Closer &#8211; Perto Demais)<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=108&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#993366;"><em>&#8220;Aonde? Me mostra! Aonde está esse amor? Eu não posso vê-lo, eu não posso tocá-lo, eu não o sinto, eu não posso ouvi-lo. Eu posso ouvir algumas poucas palavras, mas eu não posso fazer nada com essas suas simples palavras!&#8221;</em></span></strong></p>
<p style="text-align:center;">
<em><span style="color:#999999;">(filme: Closer &#8211; Perto Demais)</span><br />
</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/textosdegaveta.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/textosdegaveta.wordpress.com/108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/textosdegaveta.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/textosdegaveta.wordpress.com/108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/textosdegaveta.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/textosdegaveta.wordpress.com/108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/textosdegaveta.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/textosdegaveta.wordpress.com/108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/textosdegaveta.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/textosdegaveta.wordpress.com/108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/textosdegaveta.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/textosdegaveta.wordpress.com/108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/textosdegaveta.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/textosdegaveta.wordpress.com/108/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=108&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Carta</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 14:29:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros autores]]></category>

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		<description><![CDATA[Fique assim, quero olhar para você, já olhei tanto, mas não era para mim, agora é para mim, não se aproxime, peço-lhe, fique como esta, temos uma noite para nós, e quero olhar para você, nunca o vi assim, seu corpo para mim, sua pele, feche os olhos, e se acaricie, peço-lhe, Não abra os [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=102&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Fique assim, quero olhar para você, já olhei tanto, mas não era para mim, agora é para mim, não se aproxime, peço-lhe, fique como esta, temos uma noite para nós, e quero olhar para você, nunca o vi assim, seu corpo para mim, sua pele, feche os olhos, e se acaricie, peço-lhe,</p>
<p style="text-align:justify;">Não abra os olhos se puder, e se acaricie, são tão bonitas as suas mãos, sonhei tantas vezes com elas, e agora quero vê-las, agrada-me vê-las, agrada-me vê-las sobre sua pele, assim, peço-lhe, continue, não abra os olhos, senhor amado meu, acaricie seu sexo, peço-lhe, devagar,</p>
<p style="text-align:justify;">É bela sua mão sobre seu sexo, não pare, agrada-me olhar para ela e olhar para você, senhor amado meu, não abra os olhos, não ainda, não tenha medo, pois estou perto de você, não sente? Estou aqui, posso roçá-lo, isto é seda, sente-a?, é a seda do meu vestido, não abra os olhos, e terá minha pele,</p>
<p style="text-align:justify;">Terá meus lábios, quando eu o tocar pela primeira vez será com meus lábios, você não saberá onde, a certa altura sentirá sobre você o calor dos meus lábios, não pode saber onde se não abrir os olhos, não abra, sentirá minha boca onde não sabe, de repente,</p>
<p style="text-align:justify;">Talvez seja nos seus olhos, encostarei minha boca nas pálpebras e nos cílios, você sentirá o calor entrar na sua cabeça, e meus lábios nos seus olhos, dentro, ou talvez seja no seu sexo, porei meus lábios lá e os abrirei descendo pouco a pouco,</p>
<p style="text-align:justify;">Deixarei que seu sexo encha minha boca, entrando pelos meus lábios, e empurrando minha língua, minha saliva descerá ao longo da sua pele até sua mão, meu beijo e a sua mão, um dentro da outra, sobre o seu sexo,</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-102"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Até que no fim o beijarei no coração, porque te quero, morderei a pele que bate sobre seu coração, porque te quero, e com o coração entre meus lábios você será meu, de verdade, com a minha boca no coração você será meu, para sempre, se não acredita em mim abra os olhos, senhor amado meu, e olhe para mim, sou eu, quem poderá anular este instante que acontece, e este meu corpo agora sem seda, suas mãos que o tocam, e seus olhos que o fitam,</p>
<p style="text-align:justify;">Seus dedos no meu sexo, sua língua em meus lábios, você escorregando debaixo de mim, segurando meus quadris, me levantado, me deixando deslizar sobre seu sexo, sem pressa, quem poderá anular isto, você dentro de mim se movendo devagar, suas mãos no meu rosto, seus dedos na minha boca, o prazer em seus olhos, sua voz, você se move devagar até me machucar, meu prazer, minha voz,</p>
<p style="text-align:justify;">Meu corpo sobre o seu, seu dorso que me levanta, seus braços que não me deixam ir, os golpes dentro de mim, é uma violência doce, vejo seus olhos buscarem os meus, querem saber até onde me fazem mal, até onde você quiser, senhor amado meu, não há fim, não acabará, está vendo? Ninguém poderá anular este instante que acontece, para sempre você jogará a cabeça para trás, gritando, para sempre fecharei os olhos, estancando lágrimas, minha voz dentro da sua, sua violência ao me apertar, não há mais tempo para fugir nem força para resistir, deve existir este instante, e este instante existe, acredite em mim, senhor amado meu, este instante existirá, a partir de agora, existirá, até o fim,</p>
<p style="text-align:justify;">- Não nos veremos mais, senhor.</p>
<p style="text-align:justify;">- O que era para nós, nós o fizemos, e o senhor sabe. Acredite em mim: nós o fizemos para sempre. Mantenha-se protegido contra mim. E não hesite um instante, se for útil para a sua felicidade, em esquecer esta mulher que agora lhe diz, sem saudades, adeus.</p>
<p><span style="color:#999999;"><em> &lt;Seda, Alessandro Barico&gt;</em></span></p>
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			<media:title type="html">Bernardo Pessoa</media:title>
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		<title>Como me f*di no show dos Los Hermanos</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Jul 2009 15:09:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabi Barbosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros autores]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Adolar Gangorra Voltei para o Brasil há pouco tempo. Vivia com minha família na Inglaterra desde garoto. Estou morando no Rio de Janeiro há uns três meses e agora estou começando a me enturmar na Universidade. Não sei de muita coisa do que está rolando por aqui, então estou querendo entrar em contato com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=100&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#c0c0c0;"><em>Por Adolar Gangorra</em></span></p>
<p style="text-align:justify;">Voltei para o Brasil há pouco tempo. Vivia com minha família na Inglaterra desde garoto. Estou morando no Rio de Janeiro há uns três meses e agora estou começando a me enturmar na Universidade. Não sei de muita coisa do que está rolando por aqui, então estou querendo entrar em contato com gente nova e saber o que tá acontecendo no meu país e, principalmente, entrar em contato umas garotas legais, né?</p>
<p>Mas foi meio por acaso que eu conheci uma menina maneiríssima chamada Tainá. Diferente esse nome, hein? Nunca tinha ouvido. Estava procurando desesperadamente um banheiro no campus quando vi uma porta que parecia ser a de um. Na verdade, era o C.A. da Antropologia. A garota já foi logo me perguntando se eu queria me registrar em algum movimento estudantil de não sei lá o que. Que bacana! Que politizada ela era! E continuou a me explicar a importância de eu me conscientizar enquanto enrolava em beque da grossura de uma garrafa térmica [...]</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-100"></span></p>
<p style="text-align:justify;">[...] Pensei em dizer que estava precisando cagar muito rápido, mas ela era tão gata que eu falei que sim. Tainá: cabelos pretos, baixinha e com uma estrutura rabial nota dez&#8230; Aí, acho que ela me deu um certo mole&#8230; Conversa vai, conversa vem, ela me chamou para um show de uma banda naquela noite que eu nunca tinha ouvido falar: Loser Manos. Nome engraçado esse! Estava fazendo uma força sobre-humana para manter a moréia dentro da caverna, mas realmente tava foda. Continuamos conversando e rindo. Ela riu até bastante, mas eu, na verdade, tava mesmo rilhando os dentes porque assim ficava mais fácil disfarçar as contrações faciais que eu estava tendo ao travar o meu cu para não cagar ali mesmo na frente dela.</p>
<p>Pensando bem, eu tinha ouvido falar sim alguma coisa sobre essa banda lá na Europa ainda, mas não lembro bem o quê. Ah, acho que vi esses caras hoje no noticiário local dando uma entrevista. Achei que fosse uma banda de crentes tradicionalistas tipo Amish.Todos de barba, com umas roupas meio fudidas. Parecia até a Família Buscapé! Dão a impressão de ser uns sujeitos legais, mas o que me chamou a atenção mesmo foi o jeito da repórter, como se fosse a fã nº 1 deles, como se estivesse cobrindo a volta do Beatles ou coisa parecida. Não entendi esse jeito &#8220;vibrão&#8221; de trabalhar. Bom, mas se eu conseguir ficar com o bicho bom da Tainá hoje à noite, já tô no lucro! Marcamos de nos encontrar na entrada do ginásio. Rapaz, acho que tô dando sorte aqui no Brasil!</p>
<p>Ia ser fácil achar essa garota no meio da multidão. Ela se veste de uma maneira estilosa, diferente, bem individual: sandália de dedo, saia indiana, camiseta de alça, uma bolsa a tiracolo e o mais interessante: um óculos retangular, de armação escura e grossa, engraçado até! Depois de uns mil &#8220;Desculpe, achei que você fosse uma amiga minha.&#8221;, finalmente encontrei Tainá e seu grupo de amigos. Cacete, isso sim é que é moda! Parecia uniforme de escola!</p>
<p>Ela me apresentou suas amigas, Janaína e Ana Clara e seus respectivos namorados, Francisco e Bento. Uma mistura de fazendeiros com intelectuais. Um cara de macacão, de sandália de pneu e com ar professoral. Outro de colete, tênis adidas, óculos e também com ar professoral. Pareciam ser legais, &#8220;do bem&#8221; como eles mesmo falam&#8230; Mas que não me deram muita conversa. &#8220;Do bem&#8221;, isso mesmo! Gíria nova&#8230; Todos aqui são &#8220;do bem&#8221;. E que nomes tão simples e idílicos! Janaína, Ana Clara, Francisco, Bento e Tainá. Nada de Rogérios ou Robertos. E eu que já tava me sentindo meio culpado por me chamar Washington&#8230; Realmente estava no meio de uma nova época da juventude universitária brasileira!</p>
<p>Comecei a conversar com a Tainá antes que a banda entrasse no palco. Aí&#8230; acho que tá rolando uma condição até! Quem sabe posso me dar bem hoje? Ela começou a falar de música: &#8220;De quem você é fã?&#8221;, perguntou. Pô, eu me amarro no George&#8230;&#8221; Ela imediatamente me interrompeu, dizendo alto: &#8220;Seu Jorge? Eu também amo o Seu Jorge!&#8221; Puxa, que legal! Ela gosta tanto do George Harrison que se refere a ele com uma intimidade única! Chama ele de &#8220;Seu&#8221;! Seu Jorge! Isso é que é fã! &#8220;Legal você já conhecer ele, hein? Eu sabia que ele ia se dar bem na Europa! O Seu Jorge é um gênio!&#8221; , ela emendou. Pô, eu morava na Inglaterra. Como eu não ia conhecer o George Harrison?&#8221;</p>
<p>Essa eu não entendi&#8230;</p>
<p>Depois ela perguntou quais bandas que eu gostava. &#8220;Eu curtia aquela banda da Bahia&#8230;&#8221;.</p>
<p>&#8220;Ah, Os Novos Baianos, né?? Adoro também!&#8221; &#8220;Não, Camisa de Vênus! &#8220;Silvia! Piranha!&#8221; cantei, rindo. A cara que ela fez foi de quem tinha bebido um balde de suco de limão com sal. Senti que ela não gostou muito da piada. Tentei consertar: &#8220;Achava eles engraçados, mas era coisa de moleque mesmo, sabe?&#8221; Óbvio que não funcionou&#8230; Aí, acho que dei um fora&#8230;</p>
<p>Depois, Tainá foi me explicando que o tal Loser Manos é a melhor banda do Brasil, etc., etc., etc., e que eles &#8220;promovem um resgate da boa música brasileira&#8221;. &#8220;Tipo Os Raimundos com o forró?&#8221;, perguntei. &#8220;Claro que não!&#8221;, disse ela meio exaltada! Ela me falou que não se pode comparar os Los Hermanos com nada porque &#8220;eles são únicos&#8221;, apesar de hoje existirem excelentes artistas já reverenciados pela mídia do Rio de Janeiro como Pedro Luis e a Parede, Paulinho Moska, O Rappa, Ed Motta, Orquestra Imperial, Max de Castro, Simoninha e Farofa Carioca. Ela mencionou também &#8220;Marginalia&#8221; ou coisa parecida. Foi isso mesmo que eu ouvi? Achei que ela estivesse elogiando eles&#8230; Esses foram os nomes artísticos mais escrotos que já tinha ouvido, mas fiquei quieto. Fico feliz em saber sobre essa nova onda musical pois quando sai do Brasil o que fazia sucesso no Rio era Neuzinha Brizola e seu hit &#8220;Mintchura&#8221;. Ainda bem que tudo mudou, né?</p>
<p>Só depois percebi que o nome da banda é em espanhol: Los Hermanos. Ah bom! Mas se eles são tão brasileiros assim porque não se chamam &#8220;Os Irmãos&#8221;? Quando saí daqui os nomes de muitas bandas costumavam ser em inglês e até em latim. Ainda bem que essa moda de nomes de bandas em espanhol não pegou no Brasil!</p>
<p>Pelo que me lembro, ao explicar qual é a dos &#8220;Hermanos&#8221;, ela usou a expressão &#8220;do bem&#8221; umas 37 vezes e disse que eles falam de romantismo, lirismo, samba e circo. Legal, mas circo? Pô, circo é foda! Uma tradição solidificada nos tempos medievais que ganha dinheiro maltratando animais. Onde está a poesia de ver um urso acorrentado pelo pescoço tentando se equilibrar miseravelmente em cima de uma bola enquanto é puxado por um cara com um chicote na mão? Rá, rá, rá&#8230; Engraçado pra caralho! Na boa, circo é meio deprimente. Palhaço de circo só troca tapão na cara e espirra água nos olhos dos outros com flor de lapela e quando sai do picadeiro, vai chorar no camarim. Que merda! A única coisa legal no circo mesmo é quando ele pega fogo! Isso sim que é um espetáculo de verdade! Aquela correria toda, etc. Senti que essa galera se amarra em circo. Não faz sentido se eles são tão politicamente corretos assim, né? E os pobres animais? E eu querendo não passar em branco na conversa com a Tainá, mas não conseguia lembrar de jeito nenhum a única coisa que eu sabia sobre a banda&#8230; Cacete&#8230;! O que era mesmo?</p>
<p>De repente, uma gritaria histérica! O show tava começando! O ginásio veio a baixo! Perguntei pra ela: &#8220;Eles são todo irmãos, né, tipo o Hanson?&#8221; Ela disse um &#8220;não&#8221; esquisito, como se eu tivesse debochando. Todos eles usam uma barba no estilo Velho Testamento e se chamam &#8220;Los Hermanos&#8221;! O que ela queria que eu pensasse? Após ouvir a primeira música deu pra ver que os caras são profissionais mesmo, tocam muito bem e são completamente idolatrados pelo público, para dizer o mínimo. Fiquei prestando atenção ao show. Pô, as músicas são boas! Dá pra ver uma influência de Weezer, Beatles e Chico Buarque. Esse aí é fodão, excelente compositor mesmo. Lá na Inglaterra conhecia uns caras que eram ligados ao movimento &#8220;Dark&#8221;, como chamam por aqui. São os sujeitos que gostam de The Cure, Bauhaus, Sister of Mercy, etc. E tem a maior galera aqui no Brasil também que se veste de preto, não toma sol, curte um pessimismo niilista e se amarra nessas bandas. Mas se eles sacassem que o Chico Buarque é o genuíno artista &#8220;Dark&#8221; brasileiro&#8230; Pô, é só ouvir as músicas dele pra perceber: &#8220;Morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego&#8221; ou &#8220;O tempo passou na janela é só Carolina não viu&#8221;. &#8220;Pai, afasta de mim esse cálice, de vinho tinto de sangue&#8221; ou &#8220;Taca pedra na Geni, taca bosta na Geni, ela é boa pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni&#8221;. Tudo alegrão, né? Se eu fosse dark, só ia ouvir Chico Buarque, brother!<br />
Tentei reengatar a conversa dizendo que achava ao baixista o melhor músico dos Los Hermanos. Ela respondeu, meio irritada: &#8220;Mas ele não é da banda!&#8221; Como eu ia saber? O cara tem barba também! Aí, não tô entendendo mais nada&#8230;</p>
<p>Adiante, ela me disse que o cara que ela mais gostava na banda era um tal de Almirante. Depois de alguns minutos deu pra ver que o camarada imita um pouco os trejeitos do Paul McCartney, só que em altíssima rotação. Ele fica se contorcendo feito um maluco enquanto os outros ficam estáticos. É engraçado até! Parece que ele tem uma micose num lugar difícil de coçar! E fica falando e rindo direto. Ele é o irmão gaiato do cara que canta a maioria das músicas, o tal de Marcelo Campelo, como anunciaram no noticiário local hoje. Isso mesmo, Marcelo e Almirante Campelo: &#8220;Os Irmãos&#8221;! Legal! Já tava me inteirando! Ah, e tem também dois gordinhos de barba que estão lá também, mas devem ser filhos de outro casamento&#8230;</p>
<p>Tava um calor desgraçado, coisa que eu realmente não estou mais acostumado. Fui rapidão ao bar pra beber alguma coisa. Comprei umas quatro latas de refrigerante que era o único troço que tava gelado para oferecer para meus novos amigos: &#8220;Aí, trouxe umas coca-colas pra vocês!&#8221; Ouvi a seguinte resposta: &#8220;Coca-Cola? Isso é muito imperialista&#8230; Guaraná é que é brasileiro!&#8221; Puxa, que pessoal politizado&#8230; Isso mesmo, viva o Brasil! &#8220;Yankees, go home&#8221;, rá, rá! Outro fora que eu dei! Mas, pensando bem, eles não usam o Windows e o Word pra fazer trabalhos da universidade? Ou usam o &#8220;Janelas&#8221;? Dessas coisas gringas não é tão mole de abrir mão, né? Mais fácil não tomar Coca-Cola! Isso sim que é ativismo estudantil consciente! Posicionamentos políticos à parte, tava quente pra burro, então bebi tudo sob o olhar meio atravessado de todos eles&#8230; fazer o quê?</p>
<p>Lá pelas tantas, começou uma música e todo mundo berrou e pulou. Parecia o fim do mundo. Logo nos primeiros acordes, reconheci o som e falei pra Tainá: &#8220;Ah, eu sei o que é isso! É um cover do Weezer! Me amarro em Weezer!&#8221; Ela olhou pra mim com uma cara indignada e disse: &#8220;Que Weezer o quê? O nome dessa música é &#8220;Cara Estranho&#8221;. Já vi que não gostou de novo&#8230; Mas quem sou eu pra dizer algum coisa aqui, né? Porra, mas que parece, parece! Mas o que era mesmo que eu não consigo lembrar de jeito nenhum sobre eles? Acho que conheço alguma outra música deles&#8230; Só não consigo dizer qual&#8230;</p>
<p>Sabia que se eu quisesse me dar bem logo com a Tainá teria que ser entre uma música e outra pois parecia que ela estava vendo um disco voador pousar enquanto os caras tocavam. Resolvi fazer uma piada pra descontrair, que sempre rola em shows. Quando o Campelo tava falando alguma coisa qualquer, berrei: &#8220;Filha da putaaaaaaaaaa!&#8221; Pra que? Tainá e sua milícia hermanista me deram uma cutucada monstra na costela que me fez enxergar em preto e branco uns 5 minutos! Pô, todo show alguém grita isso! É quase uma tradição até! Eu me amarro no cara! E é só uma piada! Aí, esse pessoal leva tudo muito a sério! Caralho&#8230; Pensei em pegar uma camisinha da minha carteira e fazer um balão e jogar pra cima, como rola em todo show, pra mostrar pra Tainá que eu sou uma cara consciente, tipo: &#8220;Aí, Tainazão, se tu se animar, eu tô preparado!&#8221;, mas depois dessa vi que senso de humor não é o forte dessa galera&#8230;</p>
<p>O tempo tava passando e nada de eu ficar com minha nova amiguinha. Quando fui tentar falar uma coisa no ouvido dela, foi o exato momento em que começou uma outra música. Foi aí que a louca deu um grito e um pulão tão altos que eu levei uma cabeçada violenta bem no meio do meu queixo! Ela não sentiu nada, óbvio, pois estava em transe hipnótico só por causa de uma canção sobre a beleza de ser palhaço ou lirismo do samba ou qualquer outra coisa do gênero. A porrada foi tão forte que eu mordi um pedaço da língua. Minha boca encheu d´água e sangue na hora. Enquanto eu lutava pra não desmaiar, instintivamente enfiei a manga da minha camisa na boca pra estancar o sangue e não cuspir tudo em cima de Ana Claudia e Jandaína or something. Só que estava tão tonto com a cabeçada que tive que me segurar em uma ou outra pessoa pra não cair duro no chão. Foi quando ouvi: &#8220;Nossa, que horror! Lança-perfume! Esse playboy tá doidão de lança! Que decadência&#8230;&#8221; Lança-perfume? Cara, lógico que não! E mesmo que tivesse, todo show tem isso! Mas nesse, não pode. É &#8220;do bem&#8221;. É feio ter alguém cheirando loló!! Pô, todo show que eu fui na vida tinha alguém movido a clorofórmio. Aqui, não. Que merda&#8230;</p>
<p>Babei na minha camisa até o ponto dela ficar ensopada! Fui ao banheiro tentar me recuperar do cacete que tomei. Lavei o rosto e tirei a camisa. Quando voltava passei por uma galera e ouvi resmungarem alguma coisa do tipo: &#8220;&#8230;e esse mala aí sem camisa&#8230;&#8221; Porque não se pode tirar a camisa num show? Isso aqui não é só uma apresentação de uma banda? Parecia que eu ainda estava na Europa! Regulões do caralho&#8230; E, afinal, o que significa &#8220;mala&#8221;?</p>
<p>Estava enxergando tudo embaçado e notei que minhas lentes de contato tinham saltado pra longe com a cabeça-aríete de Tainá e esmagadas por centenas de sandálias de dedo. Lembrei que sempre levo um par de lentes extras no bolso. É uma parada moderna que eu achei lá em Londres. Um estojo ultrafino com uma película de silicone transparente dentro que mantém as lentes umedecidas e prontas para uso. Abri o estojo e peguei cuidadosamente a película com as duas mãos e elevei-a contra a luz para conseguir achar as lentes. Estiquei os polegares e indicadores, encostando uns nos outros, para abrir a película entre esses dedos. Balançava o negócio levemente, de um lado para o outro, contra a pouca luz que vinha do palco para conseguir localizar as lentes. Não estava enxergando nada direito! Quando tava lá com as mãos pra cima, fazendo uma força absurda pra achar as lentes, um dos caras legais com nomes simples, me deu um puta safanão no ombro. É claro que o silicone voou longe também&#8230; Caralho, minhas lentes! Custaram uma fortuna! Que filho da puta! &#8220;Que sinal é esse que tu fazendo aí, meu irmão? Tá desrespeitando as meninas?&#8221;<br />
&#8220;Que sinal?? Que sinal??&#8221;, respondi, assustado!<br />
&#8220;De buceta, palhaço!&#8221;, apertando o meu braço que nem um aparelho de pressão desregulado. &#8220;Você tá no show do Los Hermanos, ouviu? Los Hermanos! Ninguém faz sinal de buceta em um show do Los Hermanos, sacou?&#8221;, gritou o tal hipponga na minha cara.</p>
<p>Que viado, eu não tava fazendo nada! Parecia uma freira de colégio! Que lance é essa de buceta? Da onde esse prego tirou isso? As meninas&#8230; (Perái! Menina? A mais nova aí tem uns 25!) ficaram me olhando com a cara mais escrota do mundo! A essa altura, já tinha percebido que não ia agarrar a Tainá nem que eu fosse o próprio Caetano Veloso! &#8220;Bento&#8221;, que nome mais ridículo&#8230; Isso aqui é um show ou uma reunião de alguma seita messiânica escolhida para repovoar a Terra?</p>
<p>Caramba, que noite infernal! Tava com a língua sangrando, sem enxergar direito, só de calça, arrotando sem parar e puto da vida porque só tinha aceitado vir aqui por causa de mulher. Estava no meu limite. Isso era um show ou uma convenção do Santo Daime? Que patrulhamento! E, de repente, vejo Tainá e seus amigos olhando pra mim atravessado e cantando a seguinte frase: &#8220;Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba?&#8221; Aí foi demais! Eu me atrevo: Ritmo, melodia e harmonia. Pronto, só isso! Mais nada! Olha só: foda-se o samba, foda-se o circo, foda-se a obsessão por barba da família Campelo e, principalmente, foda-se essa galera &#8220;do bem&#8221; que está aqui!&#8221;</p>
<p>Apesar de tudo, a banda é realmente excelente! O que incomoda mesmo é esse público metido a politicamente correto e patrulhador e a imprensa que força a barra pra vender alguma imagem hipertrofiada do que rola de verdade. Esse climão de festival antigo de música popular brasileira, daqueles com imagens em preto e branco, com todo mundo participando, que volta e meia reprisam na tv, tudo lindo e maravilhoso. &#8220;Puxa vida, um novo movimento musical brasileiro!&#8221;? &#8220;Estamos realmente resgatando a nossa cultura!&#8221; ? Que exagero&#8230; Ei, é só música pop! MÚSICA POP!</p>
<p>Caralho, finalmente lembrei! Eu conheço uma música deles! Ouvi em Londres!<br />
Numa última tentativa de salvar meu filme com Tainá, na hora do bis, berrei bem alto: &#8220;TOCA ANA JULIA!&#8221; Só acordei no hospital. Tomei tanta porrada que vou ter que fazer uma plástica pra tirar as marcas de pneu da minha cara! Fui pisoteado! Neguinho ficou puto! Qual é o problema com essa música? Me lembro de estar sendo chutado pela elite dos estudantes universitários brasileiros e da própria Tainá, gritando e me dando um monte de bolsadas na cabeça! Que porra louca! Tentaram me linchar! Ofendi todo mundo! Pô, Ana Julia é uma música boa sim! É um pop bem feito! Se não fosse, o &#8220;Seu Jorge&#8221; Harrison não teria gravado, né? Se ele não entende de música, quem entende? Me disseram depois que o tal Campelo se retirou do palco chorando, magoado, e o outro irmão mais novo dele, o nervosinho que imita o Paul McCartney, pulou do palco pra me bicar também. Do bem? Do bem é o cacete&#8230;</p>
<p>Aí, sinceramente, ainda prefiro o show do Camisa de Vênus&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/textosdegaveta.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/textosdegaveta.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/textosdegaveta.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/textosdegaveta.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/textosdegaveta.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/textosdegaveta.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/textosdegaveta.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/textosdegaveta.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/textosdegaveta.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/textosdegaveta.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/textosdegaveta.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/textosdegaveta.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/textosdegaveta.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/textosdegaveta.wordpress.com/100/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=100&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 17:57:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabi Barbosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[E recomeça a chover naquele lugar que ela um dia chamou de lar. Como se já não bastasse a monotonia sem ela, a chuva deixa menos opções ainda de ter algo para fazer. Depois que viu o que é uma cidade grande, voltar a sua terra natal é perceber a escassez de entrenimento que possui. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=94&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">E recomeça a chover naquele lugar que ela um dia chamou de lar. Como se já não bastasse a monotonia sem ela, a chuva deixa menos opções ainda de ter algo para fazer. Depois que viu o que é uma cidade grande, voltar a sua terra natal é perceber a escassez de entrenimento que possui.</p>
<p style="text-align:justify;">Ingenuamente abriu a janela para sentir um pouco a essência do clima, mas tudo o que conseguiu foram rajadas de vento seguidas de inúmeras gotas de água que a encharcaram o cabelo. Furiosa, fechou a janela e descontou sua raiva num travesseiro próximo, dando-lhe um soco.</p>
<p style="text-align:justify;">Chover de dia, para ela, era perda de tempo. Não gostava de ficar trancafiada dentro de casa, como pássaro engaiolado. Cada vez que rangia os dentes, o céu parecia retribuir com urros em forma de trovões. Era quase um duelo para ver qual dos dois estava mais mal-humorado naquela tarde.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-94"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto o dilúvio não parava, ela andava de um lado a outro da casa, contando os segundos perdidos por causa daquele toró. Onde ela havia nascido, as chuvas não eram fracas e amigáveis, elas eram bem fortes e de poucos amigos. Era o tipo de chuva que se caísse em outro lugar do país, haveriam inúmeros acidentes e catástrofes. Mas a sua terra estava acostumada com esse castigo vindo dos céus; não reclamava, pelo contrário, as árvores depois ficavam num tom de verde estupendo. Assim era o inverno onde nascera, chuvas tórridas ao longo do dia, coisa que ela profundamente odiava.</p>
<p style="text-align:justify;">Ligou no noticiário para ver a previsão daquele tempo invernal. As águas cessariam logo no final da tarde. Ótimo, pensou enfurecida, que tal cair mais água ainda?, logo perguntou-se se estava ficando louca ao reclamar com as nuvens. Não preocupava-se com o trânsito &#8211; como se lá existisse algum &#8211; apenas queria libertar-se daquela clausura que o clima lhe proporcionara.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando desabou na cama para esperar o fim da chuva, ela pensou no calor abafado infernal que inundaria a cidade. Era um caminho sem saída, sem chance de uma alternativa neutra. Entre seus devaneios, acabou por adormecer.</p>
<p style="text-align:justify;">Abriu os olhos com muito custo e vira que o dilúvio cessara. Era o fim da tarde e ela poderia finalmente sair. Calçou os chinelos e abriu a porta dianteira. Automaticamente ela vê na sua frente que um enorme arco-íris aparecera sorrindo para ela. Já nem se lembrava há quanto tempo vira um daqueles pela última vez, retribuindo-o logo o sorriso. Naquele momento, todas as suas angústias evaporaram, assim como as gotículas de água que permaneciam no asfalto quente, depois de muito terem insistido em cair.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/textosdegaveta.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/textosdegaveta.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/textosdegaveta.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/textosdegaveta.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/textosdegaveta.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/textosdegaveta.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/textosdegaveta.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/textosdegaveta.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/textosdegaveta.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/textosdegaveta.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/textosdegaveta.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/textosdegaveta.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/textosdegaveta.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/textosdegaveta.wordpress.com/94/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=94&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Trecho</title>
		<link>http://textosdegaveta.wordpress.com/2009/06/30/trecho/</link>
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		<pubDate>Tue, 30 Jun 2009 19:05:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[(&#8230;) Movido pela sua ansiedade e atraído pela dela, agarrou a mão que fica estendida, imóvel e saudosa. Depois, ambos, como em sonhos, sonambulamente, subiram a escada escura, que rangia sob os seus passos, atravessaram um sombrio corredor e no quarto, inundado pela penumbra de um precoce crepúsculo de chuva, deixaram-se cair em cima da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=89&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">(&#8230;) Movido pela sua ansiedade e atraído pela dela, agarrou a mão que fica estendida, imóvel e saudosa. Depois, ambos, como em sonhos, sonambulamente, subiram a escada escura, que rangia sob os seus passos, atravessaram um sombrio corredor e no quarto, inundado pela penumbra de um precoce crepúsculo de chuva, deixaram-se cair em cima da coberta rugosa que tapava sombriamente a cama e retomaram o beijo que havia interrompido, com os rostos orvalhados da chuva ou de lagrimas, nem eles sabiam. Mas Ruzena libertou-se, guiou-lhe a mão até os colchetes que lhe fechavam nas costas a blusa e a sua voz cantante fez-se triste: “Desaperte isso!”, sussurrou, enquanto lhe puxava a gravata e os botões do colete. E, como num brusco aceno de humildade, perante ele ou perante Deus, em ação de graças, caiu de joelhos, a cabeça na beira da cama, e desapertou-lhe os sapatos. Que horror! Porque não se deixa cair uma pessoa, sem ter de pensar no estojo em que esta enclausurada? Mas que grato se sentiu  quando ela o libertou do seu com um cuidado tocante! Oh que redenção no sorriso com que ela abriu onde ambos se precipitaram! Um ultimo estorvo: o peitilho engomado da camisa cujas arestas lhe picavam o queixo. Ela abriu-lhe, passou-lhe a cabeça a custo entre os bordos agudos, depois ordenou: “tire isto!” e então tudo foi abandono e carícias, suavidade do corpo, hálito, respirar ofegante no fluxo das sensações, êxtase que sobe no fluxo da ansiedade. Ó ansiedade da vida que brota da carne viva, que enroupa os ossos. Suavidade da pele que os veste cingidamente, sinistra admoestação do esqueleto, da arca do peito de múltiplas costelas que nós podemos abranger e que, respirando, se comprime contra nós com o coração que palpita com o nosso. Ó doce aroma da pele, úmido perfume, rego macio entre os seios, escuridão das axilas. Mas a perturbação de Joachim, a perturbação dos dois era ainda grande demais para lhes permitir conhecer o encantamento, sabiam apenas que estavam juntos e tinha de se procurar. No escuro, ele viu o rosto de Ruzena que parecia desaparecer entre as margens brenhosas dos caracóis, e a sua mão teve de procurar aquele rosto, teve de assegurar-se de que ele estava ali, encontrou a testa e as pálpebras, sob as quais repousam as pupilas, encontrou a deliciosa curvatura das faces e a linha da boca aberta para o beijo. Onda de desejo contra onda de desejo. Levado pela corrente, o beijo dele encontrou o dela e, enquanto os salgueiros do rio cresciam, se estendiam de margem a margem e os envolviam como uma gruta de felicidade em cuja calma repousa o silencio do eterno lago, foi – tão baixo, tão sufocadamente, com tão entrecortada respiração ele o disse – como um grito que ela o ouviu: “Te amo”, grito com que a abriu de tal modo, que também ela, como numa concha no mar, se abriu e ele nela se afundou e se afogou.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/textosdegaveta.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/textosdegaveta.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/textosdegaveta.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/textosdegaveta.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/textosdegaveta.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/textosdegaveta.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/textosdegaveta.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/textosdegaveta.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/textosdegaveta.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/textosdegaveta.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/textosdegaveta.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/textosdegaveta.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/textosdegaveta.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/textosdegaveta.wordpress.com/89/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=89&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Árvore</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 17:47:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabi Barbosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[É sobre a história de uma árvore, mas não uma árvore qualquer. Não era um mero vegetal, uma mera planta. Ela fazia parte da história daquela cidadezinha que ficava no meio do nada. Todas as tardes os peões iam descansar à sua sombra. Foi debaixo dela que a dona Judite e o seu João deram o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=53&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">É sobre a história de uma árvore, mas não uma árvore qualquer. Não era um mero vegetal, uma mera planta. Ela fazia parte da história daquela cidadezinha que ficava no meio do nada. Todas as tardes os peões iam descansar à sua sombra. Foi debaixo dela que a dona Judite e o seu João deram o seu primeiro beijo, agora são casados há mais de 50 anos. No outono, os frutos saborosos pendiam de seus galhos e poupavam o trabalho das crianças que insistiam em roubar alguns dos outros vizinhos. Não ficava em nenhuma praça, em nenhuma propriedade, era pública. Era enorme para os insetos e pássaros que lá faziam suas casas e pequena demais para a imensidão do céu azul de poucas nuvens que a avistava de cima.</p>
<div>
<p style="text-align:justify;">Eles vieram de algum lugar, não se sabe de onde. Donos de seus impérios e grandes casas, cheias de andares que pareciam arranhar os céus. Todas sem cor, sem vida. Eram sujeitos sérios, de poucas palavras, não puxavam assuntos com os moradores da cidadezinha, apenas com o prefeito. Que era um homem bom, aliás, apesar de ser ambicioso demais. Quando esses homens chegaram, o lugarejo festejou: é<em> o dia da nossa evolução!</em>, dizia seu João, parafraseando um dos homens sérios sem saber exatamente o que essa frase queria dizer.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-53"></span>Quando o dia da evolução finalmente chegou, as casinhas, as fazendas e a quitanda da dona Judite e do seu João desapareceram como num passe de mágica. A única coisa que continuava intacta, era aquela árvore, firme e forte, sem deixar cair uma folhinha sem que ela mesma quisesse. As casas foram ganhando andares e mais andares até chegarem aos céus, a quitanda fechou e deu lugar a um mercado bem grande, cheio de novidades para os moradores. Seu João às vezes chorava baixinho com dona Judite por terem perdido seu querido patrimônio, mas o prefeito os confortava dizendo que era o melhor para aquele lugar.</p>
<p style="text-align:justify;">Um certo dia, os homens sérios decidiram cortar aquela árvore e queriam colocar no mesmo lugar uma rodovia que daria acesso direto à cidade grande. Quando essa decisão foi tomada, o prefeito suou frio, conhecia os moradores e sabia que eles não iam gostar da ideia.</p>
<p style="text-align:justify;">Dito e feito. Todos foram revoltados ao redor da árvore e ali ficaram. <em>Só a cortarão por cima de nossos cadáveres!</em>, gritava seu João. Ela era a essência daquele lugarejo, estava ali desde sempre, antes mesmo da construção da casa do prefeito! Os moradores não saíram dali por nada. Mas como os homens sérios tinham os seus truques escondidos na manga, juraram a todos que só iríam retirá-la de lá e replantá-la aonde eles quisessem. A cidadezinha,  ingênua, acreditando nos juramentos, tratou de aceitar as afirmações.</p>
<p style="text-align:justify;">Dias depois, máquinas enormes foram retirar a árvore de seu lugar. Eram máquinas tão esquisitas que ninguém sabia pronunciar corretamente o nome delas. Só sabiam disso: eram grandes, pesadas e iriam arrancar das raízes a história daquele lugar, todos querendo ou não.</p>
<p style="text-align:justify;">O que eu vou contar para vocês pode ser coisa de lunático, mas não é. Quando foram retirar a árvore, ela não saiu do lugar! Tentaram de tudo, arrancar pela raiz, cortar com motosserras e com machados, mas de nada adiantou, acreditem! Um trator foi para cima dela, mas ela nem se mexeu! E nenhum dos insetos e pássaros que nela habitavam se incomodou com a muvuca que acontecia do lado de fora. Era como se ninguém tivesse encostado na árvore.</p>
<p style="text-align:justify;">Bom, o que sei é que os homens sérios fugiram de lá, assustados e os moradores ficaram exultantes em ter as terras de volta. Dona Judite e seu João viraram donos do grande mercado e isso agradeciam à árvore que não arredara nenhuma raiz do lugar.</p>
<p style="text-align:justify;">E assim a vida daquela cidadezinha continuou. A árvore oferecia sombra para quem quisesse descansar num dia de imenso calor, oferecia frutos suculentos a quem quisesse se deliciar e oferecia abrigos aos animais que  passavam. Ouvi dizer também que foi lá que o filho do seu João deu o primeiro beijo na filha do seu Joaquim. O tempo ia seguindo&#8230; lento e calmo, girando em torno daquela árvore que um dia quiseram retirá-la do seu lugar.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela virou até atração turística, acreditem ou não. Dificilmente vocês vão encontrar histórias assim por aí. A natureza tem formas bem sutis de enfrentar o poderio dos homens&#8230;</p>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/textosdegaveta.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/textosdegaveta.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/textosdegaveta.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/textosdegaveta.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/textosdegaveta.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/textosdegaveta.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/textosdegaveta.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/textosdegaveta.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/textosdegaveta.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/textosdegaveta.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/textosdegaveta.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/textosdegaveta.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/textosdegaveta.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/textosdegaveta.wordpress.com/53/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=53&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Carta aos pais que nunca tive</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2009 16:48:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Queridos papai e mamãe que nunca tive! Escrevo para lhes contar que a vida que planejaram para mim, antes mesmo que nascesse, esta seguindo por rumos diversos. Não sou mais o vosso querido filho, tão esperado e amado, sou, agora, um filho do mundo. Sou o que há de melhor e pior do cais do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=textosdegaveta.wordpress.com&amp;blog=7344666&amp;post=77&amp;subd=textosdegaveta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Queridos papai e mamãe que nunca tive!</p>
<p style="text-align:justify;">Escrevo para lhes contar que a vida que planejaram para mim, antes mesmo que nascesse, esta seguindo por rumos diversos. Não sou mais o vosso querido filho, tão esperado e amado, sou, agora, um filho do mundo. Sou o que há de melhor e pior do cais do porto, do mercado velho e do quartel. Sou um perdido que se encontrou no meio da bagunça desse mundo intitulado moderno.</p>
<p style="text-align:justify;">Desculpe-me por frustrar seus planos tão queridos, por desmanchar sonhos tão bem construídos em meio à felicidade e alegria. Sonhos forjados na bonança de tardes quentes de verão, sob a sombra trêmula de alguma árvore. Os destruí! Se me vissem agora, à luz da candeia com uma garrafa na mão não reconheceriam o filho amado. Nunca imaginariam que a criança criada com tanto zelo e mimo se tornaria um flibusteiro mal caráter, desordeiro de fama, ladrão mal sucedido. O sonho em que me construíram foi desfeito e em seu lugar surgiu o insucesso de hoje. O fracasso que me tornei nada tem a vê com teus planos ou com os carinhos de minha criação, tem a ver com a vida que levei e por onde andei.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-77"></span>unca os conheci, queridos papai e mamãe, mas sei que o desgosto de agora é maior que o prazer que tiveram ao me gerar. Imagino que sonharam para mim um futuro glorioso, imagino o quanto teríamos sido felizes se tudo não corresse como correu.</p>
<p style="text-align:justify;">Escrevo esta carta ausentando-os de culpa pelo que me tornei, não foi vossa ausência que me levou a ser o que sou, não foi nada menos minha vontade e medo que me levaram por tais caminhos. Escrevo esta carta ausentando-os de culpa enquanto aguardo o dia clarear e o carrasco chegar. Quem sabe, poderão me ver hoje, ao meio dia, no pelourinho, e reconhecer a cabeça que rola desse teu filho querido.</p>
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