A Árvore

29jun09

É sobre a história de uma árvore, mas não uma árvore qualquer. Não era um mero vegetal, uma mera planta. Ela fazia parte da história daquela cidadezinha que ficava no meio do nada. Todas as tardes os peões iam descansar à sua sombra. Foi debaixo dela que a dona Judite e o seu João deram o seu primeiro beijo, agora são casados há mais de 50 anos. No outono, os frutos saborosos pendiam de seus galhos e poupavam o trabalho das crianças que insistiam em roubar alguns dos outros vizinhos. Não ficava em nenhuma praça, em nenhuma propriedade, era pública. Era enorme para os insetos e pássaros que lá faziam suas casas e pequena demais para a imensidão do céu azul de poucas nuvens que a avistava de cima.

Eles vieram de algum lugar, não se sabe de onde. Donos de seus impérios e grandes casas, cheias de andares que pareciam arranhar os céus. Todas sem cor, sem vida. Eram sujeitos sérios, de poucas palavras, não puxavam assuntos com os moradores da cidadezinha, apenas com o prefeito. Que era um homem bom, aliás, apesar de ser ambicioso demais. Quando esses homens chegaram, o lugarejo festejou: é o dia da nossa evolução!, dizia seu João, parafraseando um dos homens sérios sem saber exatamente o que essa frase queria dizer.

Quando o dia da evolução finalmente chegou, as casinhas, as fazendas e a quitanda da dona Judite e do seu João desapareceram como num passe de mágica. A única coisa que continuava intacta, era aquela árvore, firme e forte, sem deixar cair uma folhinha sem que ela mesma quisesse. As casas foram ganhando andares e mais andares até chegarem aos céus, a quitanda fechou e deu lugar a um mercado bem grande, cheio de novidades para os moradores. Seu João às vezes chorava baixinho com dona Judite por terem perdido seu querido patrimônio, mas o prefeito os confortava dizendo que era o melhor para aquele lugar.

Um certo dia, os homens sérios decidiram cortar aquela árvore e queriam colocar no mesmo lugar uma rodovia que daria acesso direto à cidade grande. Quando essa decisão foi tomada, o prefeito suou frio, conhecia os moradores e sabia que eles não iam gostar da ideia.

Dito e feito. Todos foram revoltados ao redor da árvore e ali ficaram. Só a cortarão por cima de nossos cadáveres!, gritava seu João. Ela era a essência daquele lugarejo, estava ali desde sempre, antes mesmo da construção da casa do prefeito! Os moradores não saíram dali por nada. Mas como os homens sérios tinham os seus truques escondidos na manga, juraram a todos que só iríam retirá-la de lá e replantá-la aonde eles quisessem. A cidadezinha,  ingênua, acreditando nos juramentos, tratou de aceitar as afirmações.

Dias depois, máquinas enormes foram retirar a árvore de seu lugar. Eram máquinas tão esquisitas que ninguém sabia pronunciar corretamente o nome delas. Só sabiam disso: eram grandes, pesadas e iriam arrancar das raízes a história daquele lugar, todos querendo ou não.

O que eu vou contar para vocês pode ser coisa de lunático, mas não é. Quando foram retirar a árvore, ela não saiu do lugar! Tentaram de tudo, arrancar pela raiz, cortar com motosserras e com machados, mas de nada adiantou, acreditem! Um trator foi para cima dela, mas ela nem se mexeu! E nenhum dos insetos e pássaros que nela habitavam se incomodou com a muvuca que acontecia do lado de fora. Era como se ninguém tivesse encostado na árvore.

Bom, o que sei é que os homens sérios fugiram de lá, assustados e os moradores ficaram exultantes em ter as terras de volta. Dona Judite e seu João viraram donos do grande mercado e isso agradeciam à árvore que não arredara nenhuma raiz do lugar.

E assim a vida daquela cidadezinha continuou. A árvore oferecia sombra para quem quisesse descansar num dia de imenso calor, oferecia frutos suculentos a quem quisesse se deliciar e oferecia abrigos aos animais que  passavam. Ouvi dizer também que foi lá que o filho do seu João deu o primeiro beijo na filha do seu Joaquim. O tempo ia seguindo… lento e calmo, girando em torno daquela árvore que um dia quiseram retirá-la do seu lugar.

Ela virou até atração turística, acreditem ou não. Dificilmente vocês vão encontrar histórias assim por aí. A natureza tem formas bem sutis de enfrentar o poderio dos homens…

Anúncios


3 Responses to “A Árvore”

  1. 1 bernardo

    olha, o texto esta mto bom!
    pensei q vc ia cair no clichê, mas n.
    confeço q n gostei, ao final, da linguagem, parecia livro infantil! mas isso da pra arrumar “yes we can”!
    no mais, adoerei a metafora… modernidade X tradição
    cada dia vc escreve melhor
    bjaooo

  2. 2 Gabriela Barbosa

    É… imaginei que tenha ficado meio infantil mesmo… Help, amorrrr!!! Huahauhauh… =D

  3. 3 bernardo

    n ficou infantil n
    algumas frases q ficaram, vc muda uma aqui, apaga outra lá e ae fica perfeito
    da uma lida nele
    uma enxugada
    quanto mais vc ler e mudar melhor fica


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: