[?]

01jul09

E recomeça a chover naquele lugar que ela um dia chamou de lar. Como se já não bastasse a monotonia sem ela, a chuva deixa menos opções ainda de ter algo para fazer. Depois que viu o que é uma cidade grande, voltar a sua terra natal é perceber a escassez de entrenimento que possui.

Ingenuamente abriu a janela para sentir um pouco a essência do clima, mas tudo o que conseguiu foram rajadas de vento seguidas de inúmeras gotas de água que a encharcaram o cabelo. Furiosa, fechou a janela e descontou sua raiva num travesseiro próximo, dando-lhe um soco.

Chover de dia, para ela, era perda de tempo. Não gostava de ficar trancafiada dentro de casa, como pássaro engaiolado. Cada vez que rangia os dentes, o céu parecia retribuir com urros em forma de trovões. Era quase um duelo para ver qual dos dois estava mais mal-humorado naquela tarde.

Enquanto o dilúvio não parava, ela andava de um lado a outro da casa, contando os segundos perdidos por causa daquele toró. Onde ela havia nascido, as chuvas não eram fracas e amigáveis, elas eram bem fortes e de poucos amigos. Era o tipo de chuva que se caísse em outro lugar do país, haveriam inúmeros acidentes e catástrofes. Mas a sua terra estava acostumada com esse castigo vindo dos céus; não reclamava, pelo contrário, as árvores depois ficavam num tom de verde estupendo. Assim era o inverno onde nascera, chuvas tórridas ao longo do dia, coisa que ela profundamente odiava.

Ligou no noticiário para ver a previsão daquele tempo invernal. As águas cessariam logo no final da tarde. Ótimo, pensou enfurecida, que tal cair mais água ainda?, logo perguntou-se se estava ficando louca ao reclamar com as nuvens. Não preocupava-se com o trânsito – como se lá existisse algum – apenas queria libertar-se daquela clausura que o clima lhe proporcionara.

Quando desabou na cama para esperar o fim da chuva, ela pensou no calor abafado infernal que inundaria a cidade. Era um caminho sem saída, sem chance de uma alternativa neutra. Entre seus devaneios, acabou por adormecer.

Abriu os olhos com muito custo e vira que o dilúvio cessara. Era o fim da tarde e ela poderia finalmente sair. Calçou os chinelos e abriu a porta dianteira. Automaticamente ela vê na sua frente que um enorme arco-íris aparecera sorrindo para ela. Já nem se lembrava há quanto tempo vira um daqueles pela última vez, retribuindo-o logo o sorriso. Naquele momento, todas as suas angústias evaporaram, assim como as gotículas de água que permaneciam no asfalto quente, depois de muito terem insistido em cair.

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3 Responses to “[?]”

  1. 1 bernardo

    “Se corresse, o bicho a pegaria, se permanecesse imóvel, ele a comeria”????? o q é isso? hahahah
    ficou mto bom
    quase senti o calor e a angustia que a chuva causa por ai, nessas terras encaloradas
    ta mto bom mesmo
    n sei como sao as chuvas por ae, n sei s mesmo com elas vc sente um puta calor, tenta passar essa sensação…
    cada dia q passa eu me surpreendo
    bjo

  2. 2 Gabriela Barbosa

    Já retirei…
    Aliás, se surpreende com o quê? =P

  3. 3 bernardo

    vc me surpreende cada dia escrevendo melhor


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